‘ONDE
ESTÃO AS MULHERES
MODERNAS CAPAZES DE AMAR
E CUMPRIR ACORDOS’
Inscrevi-me
em sites de namoro a três
anos , com a finalidade
de aliviar a depressão
causada por um divorcio,
não muito ajustado.
Durante
esses três anos, aconteceram
algumas relações.
Quando
estava prestes a retirar
meu perfil, desanimada com
o conteúdo dos relacionamentos,
passei a brincar com as
frases de chamada , ironizando
e questionando em cima daquelas
afirmações.
Ao jogar com a frase, “onde
estão as mulheres
modernas capazes de amar
e cumprir acordos?”, perguntei
onde estão os homens
capazes de amar e cumprir
acordos? O autor respondeu-me,
tentando explicar sua decepção
com as mulheres.
Trocamos
muitos e-mails , sem nunca
identificar-se, falava coisas
muito intimas, que não
falaria na minha presença.
Por
dois meses falamos de nossas
vidas pessoais. Vivida a
experiência desta
forma, enriqueci meu auto
conhecimento. O processo
foi mobilizador de conteúdos
internos, levando-me a uma
viagem ao passado . Primeiramente
revi meu passado e resgatei
muitas emoções
perdidas podendo compreender-me
nessas relações,
com melhor conhecimento
dos sentimentos masculinos,
representados aqui nesta
frase, conseguindo eliminar
minhas co-dependencias afetivas,
assumindo-me mais inteiramente.
Refleti
sobre a mulher na época
de Freud, reprimida, recalcada
em seus mais íntimos
desejos, c o que diria o
mestre se estivesse hoje,
vivendo esta era do computador
e participando talvez ativamente,
com esta mulher moderna,
que libertou-se profissionalmente
e sexualmente, vencendo
essas barreiras do maxismo
desde o inicio dos tempos?
Para
Freud que tudo girava em
torno do sexo, constatei
que de certa forma, ele
não deixava de ter
sua razão. A partir
do momento que a mulher
liberou seus instintos reprimidos,
deu vazão a uma força
desconhecida até
então, fazendo desta
força uma arma, contra
o sexo masculino, ou uma
magia de sedução
e amor em torno e internamente,
dependendo do quanto cada
mulher quis estabelecer
honestidade como um requisito.
“Onde
estão as mulheres
modernas capazes de amar
e cumprir acordos”? Estão
espalhadas por ai, certamente
se Freud as procurasse,
encontraria centenas delas,
prontas e dispostas a fazer
sexo, de inúmeras
maneiras, colocaria a libido
na sedução,
para que o homem a usasse
como vitrine de sua vaidade
masculina e posteriormente
a mulher insatisfeita, o
apunhalaria pelas costas,
num profundo sinal de vingança
e protesto, pelos anos reprimidos,
quebrando qualquer acordo
que por ventura tivesse
acontecido anteriormente,
demonstrando o modelo da
mente coletiva de baixa
estima de uma grande porcentagem
feminina.
Neste
caso, você me perguntaria?
Somos puro instinto? Certamente
não, mas não
devemos negar que a raça
humana dá muita vazão
ainda aos instintos, mentiras
e manipulação,
em detrimento a característica
espiritual que nos une a
um denominador comum.
Reporto-me
neste momento ao mestre
Jung, que descobriu o inconsciente
coletivo, fonte do Universo,
de onde colhemos todas as
informações
que necessitamos para o
nosso desenvolvimento, para
isso é necessário
que tenhamos uma intenção
aberta a auto descoberta
e o desejo firme em adquirir
valores humanos.
Imagine
Jung, nos dias de hoje,
diante de um computador
no site de namoro? Talvez
não demorasse tanto
para fazer a transcendência
de sua crise da meia idade,
até onde viveu de
paixões. Teria certamente
resolvido suas paixões
muito mais jovem, pois o
computador propicia a quem
se interessa pelo auto conhecimento,
como um excelente instrumento
, baseado naquilo que atraímos
para nós.
Ele
teria a oportunidade de
apaixonar-se muitas vezes
em menos de um ano, dado
o volume de mulheres que
se oferecem nesses contatos.
Ficaria tão congestionado
e talvez confuso com seus
sentimentos que procuraria
ajuda muito antes do que
o fez, naquela época.
Ou
ainda penso que talvez deixasse
as paixões, pois
ficaria tão vulgar,
pela freqüência
que o computador oferece,
que talvez tivesse até
dificuldades em fazer uma
parceria, baseada no vínculo
de alma, como ele propõe.
Os
internautas, fizeram-me
acordar do sono da Bela
adormecida, resolvi meus
sentimentos de rejeição,
desamor e falta de afeto,
reconheci que eles estão
mais assustados do que nós
mulheres, pois com essa
liberação
feminina, ambos os sexos,
homens e mulheres ficaram
insatisfeitos e ainda não
encontramos o denominador
comum que nos une, que é
o principio do amor verdadeiro.
“Onde
estão as mulheres
modernas capazes de amar
e cumprir acordos” ? A frustração
do internauta ocorre pela
sedução feminina,
a mulher que ainda não
emergiu em sua totalidade
como mulher. Que ainda necessita
manipular e enganar um homem,
acreditando que se fará
feliz dessa maneira.
Eu
diria, onde estão
as pessoas capazes de amar.
O amor dispensaria acordos,
desde que existisse princípios
de conduta no entendimento
sobre Respeito as diferenças
pessoais, a clareza e transparência
no que se deseja do outro,
quando ocorre o encaixe
nas necessidades e a afinidade
acontece, ocorre a magia,
pois tudo é e já
esta, existe uma só
intenção.
Eu primeiro, depois o outro,
não mais existe,
a intenção
é uma só,
é sempre o outro
primeiro, porque eu já
estou junto.O que manda
é o “sentir”, não
mais o acordo.
Para
chegarmos aqui, se faz necessário
a magia da auto descoberta,
um outro estado de nível
de consciência, apoiada
em valores humanos, para
ambos os sexos.
Evidente
que ainda estamos em um
patamar inferior e realmente
necessitamos de acordo,
principalmente quando já
temos uma existência
vivida e já tivemos
um casamento na juventude
e encontramos o outro com
a sua existência passada.
Neste caso o acordo se faz
necessário, mas pelo
menos devemos examinar a
intensão do acordo,
se os dois serão
igualmente beneficiados.
Se uma das partes aceita
tudo facilmente, é
passível desconfiar
que esse acordo será
quebrado e será uma
pista para o “sentir” da
má intensão
futura. Se ambas as partes
conseguir um pensamento
desprovido de egoísmo,
mais racional, menos emocional,
já demos o primeiro
passo para chegarmos a um
estágio do “sentir”
e se fazer desnecessário
o acordo.
Sônia
Braga Urbano