Final
de bimestre, fim de provas e poucas horas de alívio
até descobrir sua nota. É assim, praticamente,
o ano todo em que se passa na escola. Talvez o dia mais
horrível do ano letivo seja a entrega dos boletins.
E quando você estava confiante de que conseguiu sua
média de pontos, acaba descobrindo que, por mais
que você tenha feitos as coisas, não conseguiu
o que tanto queria.
Você
desanima, não acredita que isso aconteceu com você.
Então mostra suas notas a seus pais e, depois de
verem, começam a brigar com você por ser relaxada
(o) e não se esforçar mais. Jogam em sua cara
o dinheiro que estão gastando com a mensalidade e
comparam você com seu (sua) irmão (irmã),
primo (a) ou vizinho (a), que nunca tiraram nota baixa ou
coisas do tipo.
O
desânimo dobra e você começa a pensar
que não é boa (bom) o bastante e que nunca
será o que seus pais esperam.Quando se é uma
(um) estudante, a única coisa que importa é
a quantidade de pontos que você consegue, não
importa se para conseguir isso você tiver que estudar
30 horas por sai, sem sair de casa e ter uma vida social.
Ás
vezes o “baque” é tão forte que
o estudante desiste de tudo e acaba seguindo o rumo das
drogas, pois só assim é que poderá
esquecer e se libertar da pressão dos pais. E quando
as drogas não fazem mais efeito e tudo se torna pior
que antes, a alternativa encontrada é o suicídio,
assim, ninguém nunca mais poderá exigir alguma
coisa de você.
Parece
que as escolas se esqueceram que seu principal objetivo
é o de criar um ser humano com valores e ideal, não
uma maquina que vive em função de juntar e
acumular pontos e bônus. Talvez até mesmo os
pais tenham esquecido que devem orientar o estudante e,
quando verem alguma nota baixa, é preciso que perguntem
se aconteceu alguma coisa com o (a) filho (a), se é
algum problema de concentração ou emocional.
É nessas horas que o apoio da família e, principalmente
dos pais, pode fazer toda a diferença evitando tragédias
desnecessárias e muitas vezes traumatizantes.
Eu,
que estou escrevendo este texto, sou uma estudante do segundo
ano do ensino médio que repetiu por problemas emocionas
e que pioraram com a pressão exigida por meus pais.
Tudo o que escrevi anteriormente são experiências
que passei, tentei cometer suicídio por causa disso
e até cheguei a brigar inúmeras vezes com
minha família e tratar muito mal meus amigos. Quase
cai no mundo das drogas achando que, assim poderia me livrar
de meus problemas, mas não entrei e não entrei
e me sinto aliviada por não ter chegado a esse extremo.
Há
pouco mais de sete meses faço terapia procurando
ser uma pessoa melhor, tenho amigos que não me deixam
desistir e nem parar de lutar mesmo quando a pressão
em cima de mim se eleva ao máximo. Eu consegui um
motivo para continuar a viver, mas o que é que acontece
com
os estudantes que não conseguem isso?
Kimberly
Costa Almeida (Loba Solitária) – 16 Anos