Um
dos principais atributos
do ser humano consciente
é a criatividade.
O poder criativo está
relacionado principalmente
à energia da confiança,
da auto-estima e do amor
próprio.
Aqueles
que não tiveram em
sua infância um estímulo
permanente para criar coisas
novas, experimentar novos
talentos e capacidades,
crescerão, fatalmente,
medrosos, inseguros e dispostos
a ouvir sempre a orientação
dos outros para seguir adiante
na vida.
O
medo de experimentar deriva
da idéia de que não
se dispõe de poder
criativo, de capacidade
para criar capaz de despertar
interesse e admiração.
Todo
ser humano carrega dentro
de si a capacidade de criar,
seja o que for.
O poder criativo é
inerente a nós, embora
para muitos a vida a princípio
negue as oportunidades de
descobrir esse poder em
seu interior.
Mas
mesmo que não tenhamos
tido incentivos adequados
em nossa formação,
sempre é tempo de
descobrirmos em nós
a capacidade de criar novas
circunstâncias em
nossa vida.
O
passo essencial é
acreditar que sempre existe
um talento oculto em nosso
interior, que nada tem a
ver com as expectativas
que os outros colocam em
nós. A criatividade
só se manifesta quando
nos dedicamos a algo que
vem ao encontro ao que nossa
alma e nosso coração
anseiam por realizar.
Quando
prestamos atenção
a esse anseio que habita
dentro de nós e começamos
a segui-lo, descobrimos
finalmente nosso poder criador,
que se manifesta sempre
que realizamos algo em sintonia
com o nosso ser interior.
Alegria, paixão e
entusiasmo são os
termômetros que nos
indicam se estamos no caminho
certo.
Não
se acomodar e estar sempre
disposto a descobrir o que
o faz verdadeiramente feliz
é o caminho mais
certo para despertar a poderosa
chama da criatividade.
“A
vida tem de ser descoberta,
criada, realizada. Se você
não a realiza, você
permanece mais ou menos
como uma máquina.
Esse é um dos princípios
básicos do sufismo:
que o homem, como ele existe,
é uma máquina.
A
máquina tem se iludido
acreditando que é
consciente. A consciência
é uma promessa, mas
a pessoa tem de explorá-la.
É uma tarefa. A consciência
é uma possibilidade,
mas você pode perdê-la.
Não a tome por certa.
Ainda não é
uma realidade. Você
é uma semente para
ela, mas você tem
de crescer para dentro dela.
Uma
semente pode permanecer
uma semente e pode nunca
se tornar uma árvore,
pode nunca se tornar capaz
de desabrochar, pode nunca
ser capaz de liberar sua
fragrância ao mundo,
pode nunca ser capaz de
oferecer-se ao divino. Essa
possibilidade também
existe. E lembre-se sempre
que muitos perdem; apenas
poucos chegam.
Isto
cria uma ansiedade - de
que o homem é uma
promessa, de que o homem
é uma aventura, de
que o homem ainda não
é. Isso cria ansiedade
no tipo errado de pessoa,
mas cria alegria no tipo
certo de pessoa.
A
quem eu chamo tipo certo
e a quem eu chamo tipo errado
de pessoa? O covarde é
o tipo errado. No covarde
isso cria ansiedade. Diante
da idéia de se lançar
numa aventura, numa peregrinação
ao desconhecido, o covarde
se encolhe. Ele pára
de respirar. Seu coração
não bate mais. Ele
se torna surdo como uma
pedra a esse chamado, a
esse desafio. Esse desafio
se torna um inimigo. Ele
se torna defensivo contra
ele.
E
ao corajoso eu chamo tipo
certo de pessoa. Para ele,
isso não é
ansiedade, é excitação,
é aventura. Deus
o chamou. Ele começa
a se mover, começa
a procurar e a buscar. Se
você procura, há
uma possibilidade de encontrar;
se você não
procura, não há
nenhuma possibilidade. Se
você começa
a se mover, então
mais dia menos dia você
alcança o oceano,
como todos os rios o fazem.
Mas
se você se tornou
muito, muito medroso do
movimento, do dinamismo,
da vida, da mudança,
então você
se torna uma pequena lagoa.
Pouco a pouco você
morre. Você se torna
cada vez mais sujo, tedioso,
antiquado, estagnado. Então
a sua vida também
é doentia. Sua vida
toda é uma patologia.
E muitos - a maioria - vivem
numa espécie de patologia.
Um
pensador moderno, Lewis
Yablonsky, cunhou a palavra
certa para essa patologia
- ele a chama de "robopatologia".
Ao homem que sofre disso,
ele chama "robopata".
"Robô" quer
dizer máquina, autômato;
alguém que vive um
tipo de vida mecânica,
um tipo de vida repetitivo;
alguém que não
tem nenhuma aventura, alguém
que simplesmente continua
se arrastando. Ele satisfaz
as exigências do dia-a-dia,
mas nunca satisfaz a exigência
eterna, o desafio eterno.
Ele
irá ao escritório,
à fábrica,
ele virá para casa,
cuidará dos filhos
e da esposa, e fará
mil e uma coisas - e as
fará muito eficientemente
- mas ele nunca estará
vivo, você nunca encontrará
vivacidade nele. Ele viverá
como se já estivesse
morto.
...
Um robopata é uma
pessoa cuja patologia implica
comportamento e existência
de robô. Ele é
um homem apenas por causa
do nome. Ele poderia ter
sido um computador. Ele
pode ser. Um robopata é
um humano que funciona insensivelmente,
mecanicamente - para resumir,
de uma maneira morta.
...
Os robopatas nunca estão
interessados em coisas novas.
Uma vez que tenham aprendido
algumas coisas, eles continuam
a se mover naquele círculo
vicioso. Toda manhã
é igual, toda noite
é igual. Toda vez
que eles comem, conversam
ou fazem amor, é
a mesma coisa. Eles, de
modo algum, são necessários
ali.
Eles
não fazem nada através
da consciência, eles
continuam a fazer gestos
vazios. Eis por que há
tanto tédio na vida.
Como você pode ser
vibrante, repetindo o velho
constantemente? Essa é
a primeira característica
- o sono.
A
segunda característica
é o sonhar - parte
do sono. Um robopata sonha
continuamente - não
somente à noite,
mas durante o dia também.
Ele tem devaneios, fantasias.
Mesmo quando está
fazendo algo, no fundo ele
está sonhando. Você
pode encontrar isso a qualquer
hora. Feche os olhos a qualquer
momento, olhe para dentro
e você encontrará
um sonho se desenrolando.
Ele está lá
constantemente.
E
a terceira característica
é o ritualismo. Um
robopata permanece em rituais,
ele nunca faz nada através
do coração.
Ele dirá "oi"
porque tem de dizê-lo
ou porque ele tem dito sempre.
Seu "oi" não
terá, em si, nenhum
coração.
Ele
beijará e abraçará
a mulher, mas será
apenas a repetição
de um gesto vazio. Não
há nenhum beijo no
seu beijo. Ele abraçará
alguém, mas apenas
sua pele e seus ossos tocarão
- ele permanecerá
distante como sempre. Ele
não está lá.
Você pode estar certo
de uma coisa - ele não
está lá.
Mas
os robopatas são
grandes ritualistas. Eles
dependem do ritual. Eles
fazem tudo como deveria
ser feito. Um ritual, pela
sua própria natureza,
é não-criativo.
Uma pessoa ritualística
nunca é espontânea,
ela não tem condições
de ser espontânea.
...
Só muito raramente,
lá uma vez ou outra,
é que uma pessoa
cria algo - e nesses momentos,
quando a criatividade está
presente, há satisfação
espiritual. Eis por que
a criatividade traz tanta
alegria. Uma pessoa criativa
é uma pessoa feliz;
uma pessoa não-criativa
é uma pessoa miserável.
Muitas
pessoas vêm a mim
e me perguntam como ser
feliz, onde encontrar a
felicidade. Elas não
podem encontrá-la,
a menos que se tornem criativas.
A felicidade não
pode acontecer a elas, ela
acontece apenas às
almas criativas. Torne-se
mais espontâneo. Abandone
as repetições.
Deixe cada manhã
ser uma nova manhã
e deixe cada experiência
ser uma nova experiência.
Não pense que tudo
é velho”.
OSHO
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Elisabeth
Cavalcante