Em
contato com os conflitos de meus clientes
adolescentes, reporto-me a minha adolescência.
Fui
uma adolescente para a minha época,
muito rebelde, pois que carregava
dentro de mim uma insatisfação
existencial absurda. Observava meus
pais e achava-os extremamente ignorantes,
as vezes chegava a pensar que eu não
devia ser filha legítima, que
talvez tivessem me adotado.
Tive
muitas dificuldades de aprendizagem,
repetindo ano escolar, como conseqüência
desse sentimento interno. Naquela
época os pais costumavam dizer
que quando a criança não
desenvolvia uma ótima aprendizagem
é porque não dava pra
estudo e acabava tirando o filho da
escola, encaminhando ao trabalho.
Com
dez anos de idade, eu já trabalhava
para ajudar em casa financeiramente,
o que fez de mim uma adolescente insatisfeita,
pois que já havia rompido parte
do desenvolvimento infantil, no que
diz respeito a relação
de prazer com a vida, e dessa forma
desencadeou processo depressivo, mas
evidente que na época não
se identificava tais sintomas como
depressão, mas como preguiça.
Ainda
hoje, é difícil aos
pais, perceberem que seu filho esta
deprimido, que não sente prazer
e que atravessa uma bela crise existencial.
A própria fase da idade, por
si só já é bem
delicada, pois é nessa idade
que se define a identidade sexual,
projeto de carreira, desenvolvimento
das aptidões e dons a serem
desenvolvidos. O conflito existencial
é esperado para qualquer adolescente,
por mais estruturada que seja a família,
pois a vida exige muitas definições
nessa época.
Vejam
que os poemas e escritos dos adolescentes,
meus clientes, muitos deles, percebe-se
a crise existencial instalada em sua
expressão poética, na
medida que vão fazendo a terapia,
os escritos vão mudando de
cor, e adquirindo maior positivismo.Quando
o adolescente escreve sobre seus sentimentos,
já ajuda muito aliviar a tensão
da crise existencial, pois coloca
em três dimensões a energia
psíquica que esta na cabeça,
e desta forma, acaba aliviando a tensão
causada pelo stress existencial.
Aqui
se faz necessário explicar
que a depressão em crianças
e adolescentes, não necessariamente
apresenta aquele estado de isolamento,
mas muitas vezes apresenta-se como
um estado de preguiça em desenvolver
atividades e concentração
nos estudos. Muitas vezes já
nascemos com essas características
depressivas, ao longo da vida, com
os acontecimentos diários,
elas podem desencadear-se, por inabilidade
dos pais, pois que ao invés
de ajudar a criança e adolescente
sair do processo, acabam reforçando
por ignorar o que se passa com seu
filho.
O
perigo deste estado, são as
drogas, pois que um adolescente com
depressão enrustida, ao usar
uma droga, vai sentir-se melhor, mais
disposto, no primeiro momento e acaba
viciando-se.
Aqui
faço um apelo aos pais:
Observe
melhor seu filho, fique atento, não
banalize as suas intuições
e invista nele em buscar ajuda, se
não consegue resolver sozinho.
Estes são os melhores educadores,
os que possuem a humildade de perceber
que nem sempre é possível
ajudar seu filho e que precisa de
uma parceria adequada para orienta-lo.
Reporte-se
a sua própria adolescência
como eu faço, e verifique as
dificuldades que teve, certamente
verá em seu filho muitas das
coisas que aconteceram com você
e agora é possível mudar
essa repetição de fatos,
contudo de uma maneira saudável,
não suprindo-os com coisas
materiais, se por exemplo teve muitas
privações, mas saber
dosar e equilibrar essa questão
e principalmente estabelecer o diálogo
dentro do lar, sempre indagando e
ouvindo os sentimentos de seu filho,
sem condenar ou criticar, mas ouvir
com afeto, para que possas ser seu
amigo, que ele, seu filho sinta em
você companheiro e amigo, acima
de tudo, só depois que instalar
nele esse sentimento, você terá
a oportunidade de conduzir o seu raciocínio,
para aquilo que acha mais prudente.
Sucesso
a todos, proponho a vocês,
acolher o adolescente carente que
ainda existe em nós, para
que possamos ajudar nossos filhos.
beijos no coração
Sônia
Braga Urbano