O
que é um amigo? Quem é
meu amigo?
E
ai eu comecei a olhar o amigo por
fora, se era bonzinho, ele é
bonzinho, se tem cara de ruim ele
é ruim ... comecei a escolher
amigos. E como escolher, nessas alturas
eu já tinha 15 ou 16 anos,
na fase da adolescência.
Amigo!
Mas a palavra amigo estava atrás,
estava dentro. Ela era forte. E ai
eu descobri os elementos que eu deveria
encontrar no amigo, acho que posso
descrever o amigo assim: é
muito grande, então não
dá para enxergar o tamanho
dele, não sei a cor dos olhos,
aliás não sei nem se
tem olhos, se tem boca, se tem cabelos
curtos ou compridos, ou se tem cabelos.
Difícil descrever o amigo .
A
filosofia diz que para descrever uma
pessoa, a gente pode usar as obras
da pessoa, o que a pessoa faz e os
representantes na obra. Ai fica fácil.
Assim eu posso descrever o amigo.
Meu
amigo tem muitos representantes, um
deles é a formiga! Meu amigo
pelas formigas, ensina-me a trabalhar
muito, muito, mesmo que um pé
malvado estrague tudo, tem ainda como
representante as flores; ele me ensina
pelo perfume das flores, pela cor
das flores, ele me ensina que a gente
deve amar o puro, a pureza em todo
seu esplendor, a pureza natural.
Esse
meu amigo, tem outro representante,
são os pássaros. Por
intermédio dos pássaros,
ele me diz que um dia eu preciso alcançar
as alturaS. Ele me diz que eu posso
aprender a voar! Ele fala em liberdade,
quando me deixa ver os representantes
voadores. Ele me lembra tanta coisa
quando eu vejo a doçura dos
pássaros.E pelos pássaros
ele me ensina, mesmo sendo passaro
livre, ele me ensina que é
preciso, também, lutar para
a sobrevivência, tal qual as
gaivotas desesperadas a brigar entre
si, na disputa de um pedaço
de lixo.
Meu
amigo é esse. Esse é
meu amigo.
Sai
a procura, difícil encontrar!
Mas comecei a olhar nas pessoas aquele
“pedaço da laranja” que tinha
isso e, de repente, encontrei um,
encontrei outro, outro, ... e um dizia
assim “Olha eu conheço alguém
que tem isso lá dentro”, e
trazia, trazia.
E
ai me acerquei de amigos, cada um
com sua especialidade, uns de voar,
outros de ficar com o pé no
chão, outros de ter a força
para a luta, outros que me ensinavam
a prudência, outros a temperança
e juntos saímos em busca da
paz.
Amizade, algo nobre, grande, algo
que dá razão de eu existir.
Que bom ter amigos para aquela hora
amarga, obscura, na hora do desespero
e que bom tê-los para a saúde
e os prazeres. Que bom tê-los.